A Unção dos Enfermos: o grande esquecido dos sacramentos

14/02/2025

Na vida sacramental da Igreja, há ritos que recebem atenção constante, como a Eucaristia ou a Confissão, e outros que parecem ter caído no esquecimento.

Por Jaime Gurpegui 

A Unção dos Enfermos é, sem dúvida, a mais marginalizada de todas. Para muitos, ainda é a "extrema-unção", aquele último gesto antes da morte, um sacramento reservado para quando o doente já está morrendo. Mas essa visão é errônea e reflete uma grave deficiência catequética.

O Catecismo da Igreja Católica é claro: este sacramento não é apenas para os moribundos. É um presente de Deus para aqueles que enfrentam doenças graves ou o peso da velhice. A Unção tem um duplo efeito: cura espiritual e, se Deus quiser, cura física. Não é mágica ou um último recurso desesperado, mas uma ajuda sobrenatural para enfrentar o sofrimento com graça.

A epístola de Tiago expressa isso com força: "Algum de vocês está doente? Chame os sacerdotes da Igreja, para orar sobre ele e ungi-lo com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o socorrerá, e se ele tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5, 14-15).

No entanto, esse ensinamento parece ter desaparecido do imaginário coletivo. Hoje, há mais confiança na morfina do que na graça.

Uma sociedade envelhecida e um sacramento ignorado

A Europa está envelhecendo e a Espanha não é exceção. O número de idosos está disparando, as casas de repouso estão cheias e cada vez mais idosos enfrentam a doença sozinhos. E, no entanto, quantos deles recebem a Unção dos Enfermos? Quantos sabem que podem recebê-lo?

O problema é duplo: falta de formação e falta de sacerdotes que promovam ativamente o sacramento. Missas para jovens, peregrinações, congressos de pastoral juvenil continuam a ser celebrados... Mas quem pensa nos idosos? A Unção dos Enfermos não aparece nas catequeses ou homilias paroquiais. É como se a Igreja só pensasse nos vivos e se esquecesse daqueles que estão chegando ao fim de suas vidas.

Uma catequese urgente

Se a Igreja quer ser verdadeiramente mãe e mestra, ela precisa recuperar o ensino e a administração da Unção dos Enfermos. Algumas propostas concretas:

1. Catequese paroquial: Ensine nas paróquias que o sacramento não é apenas para os moribundos e que qualquer pessoa com uma doença grave ou em idade avançada pode recebê-lo.

2. Domingos dedicados à Unção: Assim como há celebrações em massa da Confirmação ou Primeira Comunhão, deve haver domingos em que os idosos e doentes da comunidade possam receber a Unção em uma Missa solene.

3. Sacerdotes disponíveis: Os pastores devem ser proativos ao oferecer a Unção em hospitais e asilos. Não basta esperar que as famílias peçam quando o paciente já está em coma.

4. Famílias formadas: Muitos filhos e netos não pedem a Unção para os mais velhos porque acreditam que isso significa "entregar-se" à morte. Eles devem ser ensinados que é um sacramento de força, não de derrota.

5. Um cuidado pastoral do sofrimento: A Igreja deve recuperar o ensinamento sobre o significado cristão do sofrimento. Hoje vivemos em uma cultura que foge da doença e da morte. A Unção dos Enfermos é uma resposta católica ao medo existencial do homem moderno.

Numa época em que a eutanásia é apresentada como a "solução" para a velhice e a dor, a Igreja tem o dever de lembrar que existe outra opção: a graça de Deus. Mas para que essa graça chegue aos fiéis, é necessário pregá-la, ensiná-la e administrá-la. A Unção dos Enfermos é um sacramento esquecido, mas em uma sociedade envelhecida, torna-se mais necessário do que nunca. (Fonte: INFOCATOLICA)