Minimização da castidade, tolerância à homossexualidade e o adultério

20/02/2025

Em seu novo livro, Hope: The Autobiography,[i] o Papa Francisco repete fatos sobre sua vida e família e faz declarações doutrinárias contrárias ao ensino tradicional da Igreja.

Por Luiz Sérgio Solimeo 

Os pecados da carne não importam?

Falando sobre homossexualidade, o Papa Francisco diz que não se trata de um crime, mas de "um fato humano" e "Deus Pai os ama com o mesmo amor incondicional, Ele os ama como eles são"[ii].

Dizer que Deus ama os homossexuais "como eles são" sugere que Deus os ama enquanto pecadores, o que é absurdo.[iii] São Tomás, após citar o salmista, "Tu odeias todos os que praticam a iniquidade"[iv] (5:7), explica que Deus ama todos os homens como suas criaturas, mas enquanto pecadores, "sob este aspecto, eles são odiados por Ele".[v]

As declarações do Papa Francisco são ainda mais sérias porque ele considera que os pecados contra a castidade têm pouca gravidade.

"Os pecados sexuais", diz ele, "tendem a causar mais protestos de algumas pessoas. Mas eles não são realmente os mais sérios. São pecados humanos, da carne." Para ele, "os mais sérios… são os pecados que têm mais 'angelicidade', que se revestidos de outra forma: orgulho, ódio, falsidade, fraude, abuso de poder."[vi]

No entanto, segundo a doutrina tradicional, todo pecado mortal "priva a alma da graça santificante e a torna merecedora do inferno,"[vii]seja do espírito ou da carne. Portanto, embora haja uma gradação nos pecados mortais, havendo mais graves e menos graves, todos levam igualmente à condenação eterna, e todo ato consumado de luxúria é mortal[viii].

Todo pecado grave é uma revolta contra Deus e, portanto, de alguma forma, participa da revolta dos demônios, os anjos maus. É por isso que São João diz: "[aquele] que comete pecado é do diabo"[ix].

Minimizando a virtude da castidade

Ao considerar o pecado da impureza como não sendo tão sério, o Papa Francisco indiretamente diminui a importância da chamada virtude angélica da pureza, a castidade. Pois se a impureza não é importante, a virtude oposta também não terá a importância que a Igreja e os santos sempre lhe atribuíram, o que levou tantas virgens a preferir o martírio a perdê-la. A minimização da virtude da castidade pelo Papa se torna mais evidente em suas respostas aos jesuítas portugueses durante sua viagem a Portugal em 2023.

Em uma delas, ele falou da preocupação com a castidade como algo ultrapassado:

"Quando eu era noviço, eles costumavam falar conosco sobre castidade, santa castidade. Eles costumavam nos pedir para não olharmos para fotos que eram um pouco picantes… Quer dizer, aqueles eram outros tempos[x]."

Ele mostrou ainda mais claramente seu desinteresse pela prática da castidade ao responder a outro jesuíta, que fez uma pergunta sobre a homossexualidade. Disse Francisco:

"É claro que hoje, a questão da homossexualidade é muito forte, e a sensibilidade a esse respeito muda de acordo com as circunstâncias históricas. Mas o que eu não gosto nem um pouco, em geral, é que olhamos para o chamado 'pecado da carne' com uma lupa, assim como fizemos por tanto tempo para o sexto mandamento. Se você explorava trabalhadores, se mentia ou trapaceava, não importava, e em vez disso, os pecados abaixo da cintura eram relevantes.[xi]"

Não foi essa mudança de mentalidade sobre a importância da virtude da castidade que levou aos escândalos sexuais que afligem a Igreja hoje?

Além disso, essa mudança de mentalidade é o que tornou possível ao Papa Francisco aprovar a bênção de "casais" homossexuais e uniões adúlteras em Fiducia supplicans[xii]

As Consequências da Luxúria

Por sua veemência, o pecado da luxúria ou impureza influencia o homem todo, obscurece sua mente, afasta-o das coisas sagradas, do desejo do Céu, causando muitos outros pecados. Por essa razão, os Padres da Igreja o incluíram entre os pecados capitais, que são faltas graves que provocam os outros pecados.

Tradicionalmente, os pecados derivados da impureza são apresentados como cegueira espiritual, precipitação, desconsideração, inconstância, amor-próprio desordenado, ódio a Deus, apego a esta vida e horror à próxima[xiii].

O Apóstolo São Paulo é muito claro sobre a condenação eterna da pessoa impura:

"Não sabeis que os injustos não possuirão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os mentirosos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores possuirão o reino de Deus."[xiv]

Ao contrário, a Sagrada Escritura louva aqueles que guardam a castidade: "Ó quão formosa é a geração casta com sua glória: porque a sua memória é imortal: porque é conhecida tanto por Deus como pelos homens."[xv]

O prêmio para aqueles que amam e guardam sua pureza é o maior que se pode receber: ver Deus por toda a eternidade, como Nosso Senhor diz no Sermão da Montanha — "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus."[xvi]

Esta doutrina perene da Igreja sempre foi o caminho para a bem-aventurança eterna: ver Deus é a maior felicidade que se pode possuir. Ao minimizar ou negar implicitamente a gravidade dos pecados contra a castidade — a virtude angélica — o Papa Francisco não conduz o rebanho à felicidade eterna, mas sim à eterna condenação porque, como foi mencionado anteriormente, "[a]quele que comete pecado é do diabo"[xvii]. (Fonte: Agência Boa Imprensa)

A Campanha da Fraternidade 2025, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apresentou uma novidade que gerou controvérsias entre os fiéis: a Via Sacra Ecológica. Em vez de seguir a tradição de refletir sobre os sofrimentos de Jesus Cristo, essa nova abordagem busca conscientizar os fiéis sobre a importância da ecologia. Ou...